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É pouco animador querer “gabar o seu galho”, mas vou aqui relatar minha experiência pessoal. Os estragos ou melhorias impostas pelo tempo, facilmente podem ser descritos, mas pouco modificados. Quem acha que é arcaico colocar pára-lama em bicicleta, deve conformar-se com a lama em cima da roupa, em dia de chuva. A extravagância da bicicleta sem defesa contra a lama vem mostrar que nem tudo o que é moderno é melhor. Não vou fazer apologia do que testemunhei outrora. Mas a cada década da minha vida, vi os costumes ir se modificando, sem ninguém ter planejado. Assim, outrora, no sábado de manhã todos trabalhavam normalmente. Mas à tarde tudo virava uma grande véspera do domingo. Se durante a semana o banho não era muito apreciado, nas tardes de sábado toda a família passava pela “ducha”. Depois disso os homens faziam a barba (esquecida durante toda a semana). As moças usavam seus belos vestidos. Muitos homens dirigiam-se ao clube para jogar baralho, ou disputavam partidas de bolão (boliche). As mulheres também tinham a sua concentração. O domingo de manhã ganhava vida, pois a maioria freqüentava sua comunidade religiosa para a missa, ou para o culto. Depois disso o domingo continuava: havia o almoço festivo, com pernil. E à tarde as famílias se visitavam alegremente, numa tonalidade despreocupada e repleta de felicidade. Homens, mulheres e crianças conviviam todos juntos, sem pressa. Era o eterno “ primeiro dia da semana” (1 Cor 16, 2).
Hoje em dia, sem menosprezar o que se faz, vejo que o enfoque mudou. Não se deseja mais a ninguém um “bom domingo”, mas um “bom fim de semana”. Tudo começa às sextas feiras à tarde, quando as rodovias se enchem de caminhões. Todo mundo quer estar em casa no sábado. Neste não há mais trabalho. Nele a alegria é grande. Alguns até vão à missa, ou a deixam para o domingo. No domingo de manhã é hora para dar uma esticada no sono. O almoço ainda continua sendo importante. Depois se busca um bom jogo de futebol, ou já se preparam os caminhões para disparar para os grandes centros urbanos. E assim acabou o domingo. Hoje as atenções se voltam para a mística do sábado inglês. A grande pedida agora é abrir o comércio dominical, pois, dizem, gera muitos empregos.

criado por Dom Roque
14:40:18 Entre os esportistas, sobretudo entre jogadores de futebol, tem aparecido diante dos nossos olhos, exibições religiosas desses profissionais. Lançam-se beijos para Jesus, usam-se camisetas com inscrições de cunho pentecostal (por que em inglês?), há genuflexões, fazem-se rodas de oração vocal, desenrolam-se faixas com letreiros, apontam-se os indicadores para o espaço celeste. Coisas tais vimos, repetidas, no encerramento da Copa das Confederações, na África do Sul. Há respeito para com os adeptos de outras religiões? Por que fariam isso? Vou tentar algumas explicações. Cada leitor vai escolher a que lhe parecer mais próxima da verdade.
1 –Tais atletas fariam exibições de religiosidade superior, considerando-se acima das reles superstições alheias, ou além de expressões religiosas infantis? Assim ensinariam que a expressão religiosa válida seria só a de cunho bíblico. A democracia sente-se bem com isso?
2 – Seria demonstração de que o Pai Celeste tem filhos privilegiados (os do grupo), aos quais concede generosamente todas as vitórias, e os demais deveriam amargar as derrotas?
3 – Seria uma dura afirmação de que Jesus é exclusividade do grupo, e que os resultados positivos nasceram da iniciativa deles, e que portanto, eles tem a capacidade de manipular a vontade divina?
4 – Poderia ser um lance de proselitismo, em favor de seu grupo religioso, uma vez que os meios de comunicação fazem uma cobertura gratuita e universal? (Chegam a privilegiar seus símbolos sobre o esporte).
5 - Estariam procurando demonstrar que os verdadeiros cavalheiros do esporte, os grandes jogadores, os mais disciplinados, e as peças mais decisivas do jogo estão dentro de seu grupo, restando aos demais se considerarem de segunda categoria? Não seria irreal?
O caro leitor saberá entender que várias dessas suposições são fracas. Mas outras tem apoio na realidade. Até poderiam ser multiplicadas. Gostaria de dizer que nunca devemos pedir ao Pai Justo, que derrote os nossos adversários, e que nos dê uma vitória retumbante. Todos são seus filhos. O que podemos pedir é que os esforços, a preparação, a inteligência e o bom planejamento sejam recompensados. E que vença o melhor. “Vosso Pai faz nascer seu sol sobre justos e injustos” (Mt 5, 45).

criado por Dom Roque
18:03:33 De pouco adianta ao mundo dispor de filosofias esporádicas, que costumam ser volúveis ao extremo. Periodicamente se apresentam ideologias que, num primeiro momento, parecem ser a palavra derradeira da humanidade. Mas não há nenhuma que ultrapasse os 100 anos de vigência, para depois ser vítima da voragem dos tempos, e ser substituída por outras. São todos louváveis esforços humanos, mas padecem de autoridade para se impor. Os conceitos de bom senso, de justiça, de direito, de fraternidade, de verdadeira vida familiar, que de fato vigem entre os povos, direta ou indiretamente nascem da Igreja Católica. Os próprios Direitos Humanos tem sua origem nas páginas do Evangelho - e ó curiosidade - às vezes são usados contra a própria Igreja, cujos filhos se esquecem desses valores perenes. É a vontade do divino Mestre que se cumpre, pois Ele queria que sua Igreja fosse sal da terra.
Há um aspecto pouco comentado, que transmite uma força incrível ao mundo moderno. É a presença do Papa, como mestre de pensamentos sólidos de teologia, de moralidade, de convivência pacífica, e de justiça. Haver essa pessoa, revestida de autoridade, cheia de fé e de zelo pela humanidade, é da vontade do próprio Mestre. Ele emprestou uma autoridade a São Pedro, que não foi concedida a nenhuma outra pessoa. “Tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos na fé” (Lc 22, 32). As Escrituras do Novo Testamento são muito claras em dar a esse Apóstolo uma importância inequívoca de palavra e de decisões. Se Jesus queria esse serviço, então não restringiu sua iniciativa a São Pedro. Mas alargou essa missão para os seus sucessores, através dos tempos. As intervenções do Santo Padre não gozam de unanimidade. Muitos de seus ensinamentos são apodados de retrógrados, o até de medievais. Mas são a palavra do bom senso, do respeito pela pessoa humana. Como se está verificando na questão das células - tronco embrionárias. A ciência, discretamente envergonhada, já descobriu que as células- tronco somáticas, substituem, com vantagens, as primeiras, sem eliminar vidas em formação. Ouçamos sempre com carinho os sábios ensinamentos de Bento XVI, e rezemos diariamente por ele, para que consiga cumprir sua missão.

criado por Dom Roque
14:12:37 As Comunidades estavam em débito para com os Sacerdotes. Homens de dedicação integral, com fadigas bastante comuns, e muitas vezes, com pouco reconhecimento, o Papa Bento XVI proclamou um Ano Sacerdotal. Os próprios Padres tomarão muitas iniciativas, na linha do aprofundamento vocacional. Mas também os fiéis, que sentem mais de perto os grandes serviços prestados por esses líderes da Igreja Católica, farão a sua parte. Dar-lhes-ão o encorajamento e o estímulo na sua opção religiosa, e também o apoio de suas fervorosas orações. O que é de admirar é que a maioria dos Presbíteros – quando é o caso - mesmo no meio de oposições, e até de perseguições, mantém firme a sua fé e a sua disposição em servir. Aliás, eu tenho uma convicção. Quando em algumas sociedades se pratica o “esporte” de maledicências contra o clero, podemos estar muito certos de que naquele ambiente o prestígio da família também está em zero. A sorte das duas entidades é comum. Parecem gêmeos siameses. Também, ao contrário, quando existe estima pelos Sacerdotes, e respeito pela sua missão, é sinal de que a família vai bem, e tem status de estima.
Ninguém quer negar que sempre existiram alguns Padres - e sempre existirão - que são infiéis ao seu ministério. Isso é motivo de tristeza para a Igreja, e também para o povo cristão. Neste particular convém concordarmos num ponto. Sempre ficamos em dúvida, diante de certos vegetais, como flores, plantas ornamentais, folhagens, que são lindas demais. As cores são perfeitas, não existe nenhuma folha seca, não há fungos, nem se observam parasitas. É beleza pura. É a hora de desconfiarmos. Quando uma planta é linda demais, garantidamente é de plástico. E pior: não tem vida. Isso é o retrato de descrições de comunidades perfeitas, de famílias de pura paz, de personalidades sem jaça. Onde existe vida, sempre sobra alguma coisa negativa. Os defeitos, debaixo de uma boa observação, aparecem copiosos. Só Deus é perfeito. Logicamente, não existe clero sem sombras. Não há Padre de virtude total. O que existe é um esforço humilde, para chegar a uma aproximação da excelência da pessoa de Jesus. Ele afirmou sobre eles: “Não mais vos chamo de servos, mas de meus amigos” (Jo 15, 15).

criado por Dom Roque
13:37:11 Para nós que temos fé na vida eterna, resta sempre a grande interrogação: será que eu vou me salvar? É evidente que para o nosso bom Pai Criador existe a vontade de nos salvar, em todos os âmbitos. Essa vontade se estende para a saúde, para o sentido de nossa vida, para as nossas relações sociais, para a nossa profissão. Mas a salvação por excelência é a salvação eterna, pela qual Deus quer que estejamos para sempre com Ele. Na carta a Timóteo São Paulo afirma: “Deus quer que todos os homens se salvem” (1 Tim 2,4). Portanto, só a nossa persistência no mal pode nos afastar da salvação derradeira. Para continuar a conversa, queremos afastar, para bem longe, aquela idéia da predestinação. Essa é uma idéia idiota (desculpem a força da expressão), pela qual alguém poderia achar que é inútil trabalhar pela salvação eterna, pois Deus já sabe de antemão se vamos nos perder ou salvar. Nada nos caberia fazer. Isso seria uma paralisação geral de nossos ideais. Mas como gostaríamos de saber de antemão, se vamos alcançar a salvação, vou dar três critérios que nos fortalecem na caminhada. Pois a Escritura diz: “Porque na esperança fomos salvos” (Rom 8, 24). Já somos salvos, mas na esperança. Ei-los:
1 – Quem se deixa dirigir pelo Espírito Santo e vive seus dons, já pode ter certeza de que a salvação acontecerá. As pessoas pacíficas, as que trabalham pela unidade de todos, as que rezam, as que fazem a caridade, podem aplicar a si: “Todos os que se deixam dirigir pelo Espírito, são filhos de Deus” (Rom 8, 14). Se são filhos, então já estão na casa do Pai.
2 – Quem segue os mandamentos, quem procura se purificar do mal, ou luta contra o pecado, quem obedece aos ensinamentos de Jesus, carrega em si o sinal de que será salvo. “Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor” (Jo 15, 10). Aquele que é amado por Jesus, jamais se perderá. Mas é preciso mostrar serviço.
3 – Quem ama a Missa, gosta da Eucaristia dominical, e recebe a Comunhão com fé, garantidamente tem o penhor da salvação. Carrega em sua alma o selo, o sinal da escolha divina. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna” (Jo 6, 54). Ó certeza confortadora!

criado por Dom Roque
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