Novos Tempos do Cristianismo

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2009

25.05.09

LÍDER INSUPERÁVEL

categorias: Artigos

   É inútil procurar pessoa mais influente, de maneira permanente, na história da humanidade. Sua influência é duradoura, cheia de sabedoria e determinação. O Apóstolo Paulo não pode ser qualificado como um homem vacilante, sem motivação na vida, ou entregue aos caprichos da opinião vigente. Ele é uma personalidade que descobriu a espinha dorsal de sua vida: Jesus Cristo. Por seu amado Mestre, o Apóstolo das nações, gastou todas suas energias, empregou toda a sua privilegiada inteligência, buscou todas as pessoas para lhes passar a grande descoberta. Foi um homem prendado de dotes naturais extraordinários. Suas características mais evidentes são inteligência, forte personalidade, profundidade, arrojo, e ao mesmo tempo mansidão. Para perceber esta última qualidade comentada, basta ler as suas insuperáveis epístolas. Nunca se torna agressivo, ou parte para o insulto. Mesmo escrevendo com firmeza aos gálatas, para eles abre seu coração e a eles narra acontecimentos biográficos, não comentados em outros escritos. Sempre é construtivo, e com o coração cheio de amor. Mas um amor amadurecido, dentro do quadro do Cristo Crucificado.

   É impressionante verificar os milhares de quilômetros que percorreu, as distâncias marítimas que enfrentou, para encontrar pessoas que aceitassem Jesus Cristo, e concordassem em formar comunidades. Sabia ter a paciência de permanecer em certos agrupamentos cristãos, apenas iniciados, por meses, e às vezes por vários anos. O objetivo era firmá-los na fé e na caridade fraterna. Não há nenhum assunto que não tenha tratado com maestria: Cristo ressuscitado, o batismo, o matrimônio, a Eucaristia, a Igreja, a pureza na fé, e a proposta universal de salvação para toda a humanidade. Os vícios, os erros doutrinários, os maus comportamentos morais, sabia combate-los com argumentos. Na comemoração dos dois mil anos de seu nascimento, é preciso redescobrir seu ardor missionário. Seu amor para com os outros era tão extraordinário, que chegou a pedir ao Senhor que ele próprio “fosse condenado, para que os outros fossem salvos” (Rom 9, 3). Ele é o mestre de todos os mestres, o Doutor das Nações. Foi prendado por Deus como ninguém.

18.05.09

UMA BUSCA SEM FIM

categorias: Artigos

   O ser humano, sem jamais desfalecer, é um ser desinquieto, curioso, que adora ser desafiado na sua inteligência. Ele quer saber por que o sol brilha sem cessar; quer desvendar o logro de casas mal-assombradas; quer dominar as energias do universo; deseja devassar os segredos de nossas tendências mórbidas. Isso tudo é causa do progresso das ciências, e motivação sem fim de viver. É assim que ultrapassamos de longe os animais, que nada sabem sobre energia elétrica, sobre doenças causadas por micróbios, sobre a grande explosão do big bang, e muito menos dão notícias sobre energia atômica, ou a formação do universo. A curiosidade humana é espicaçada pelos segredos da natureza. O cosmos tem as suas leis, que precisam ser postas à luz do dia. “Multiplicai-vos e dominai a terra” (Gen 1, 28). O Criador envolveu tudo em véus de mistério. O ser humano sente necessidade de levantar os invólucros dessa realidade escondida, porque são provas da presença de um Ser sumamente inteligente. Esse é um modo de dialogar entre seres racionais. É uma sublime comunicação entre criador e criatura, cujo ápice é o encontro de amor, revestido de liberdade sem limites.

   Mas o próprio Ser Amoroso nos advertiu contra escolhos, que podem afundar nossas melhores intenções. “Não te prostrarás diante de deuses falsos” (Ex 34, 14). E um dos mais perigosos deuses, que desviam a inteligência humana para o abismo do nada, é o “ego” que, pelo fato de ter descoberto alguma coisa, se julga o centro do universo. Por isso, a grande busca não será esquadrinhar o átomo, ou elaborar a teoria quântica, ou ainda aprender a domar todas as energias do cosmos. A busca eterna será conhecer a Deus, o mistério por excelência. Essa tentativa de compreensão será matéria eterna para o nosso amor. A busca de compreender a matéria, ou a anti-matéria, um dia poderá se encerrar. Teoricamente podemos chegar a perscrutar todos os enigmas, deslindar todos os problemas, ter conhecimento de todos as forças escondidas na natureza. Mas o Ser por excelência, o único necessário, o nosso Pai amoroso, precisamos de uma eternidade para compreender. “Eu sou o que sou” (Ex 3, 14).

11.05.09

COISAS NOVAS E VELHAS

categorias: Artigos

   Nenhum grupo humano pode considerar a geração nova como conhecedora das tradições e dos sadios ensinamentos. Tudo precisa novamente ser ensinado, insistido, mostrado pela geração adulta. Nós não carregamos conosco - ao contrário dos animais - os instintos da nossa espécie. Também em assuntos de fé, e de convivência comunitária acontece isso. Precisamos aprender tudo, seja dos nossos pais, seja dos irmãos de vida comum. O fracasso do crescimento na fé não é difícil de detectar nos dias atuais. Os princípios religiosos consistentes, com firme espinha dorsal, são exceção. Vemos muitos serem frios nas suas convicções, desligados dos ensinamentos insuperáveis de Jesus, seguidores fáceis de ventos de doutrina, fugitivos repentinos diante de grandes dificuldades. Muitos gravitam na mediocridade da fé. Não é fácil de encontrar mártires, ou pessoas capazes de enfrentar os ventos da adversidade, e apesar disso serem fiéis a Cristo.

   Na Igreja Primitiva encontramos um método insuperável de modelagem na fé. É a chamada “Iniciação à Vida Cristã”, que forjou muitos Santos e Mártires. Não se sabe qual foi o motivo de se abandonar tamanha riqueza pedagógica. Hoje fazemos um esforço hercúleo, para colocar a Catequese em condições, de se tornar uma resposta convincente aos anseios de vivência cristã. Quais foram algumas das características da antiga pedagogia cristã? Antes de tudo, ela sabia que o mistério (a pessoa de Cristo), não se aprendia pelo estudo, mas pela experiência. “Vinde e vede” (Jo 1, 39). Ademais, por ter vínculos antropológicos, a Catequese primitiva nunca terminava; envolvia pais e padrinhos; e reconhecia que a riqueza de Cristo é impossível aprender em pouco tempo. Nestas circunstâncias, o catequista não era um professor, mas um mistagogo (aquele que introduz no mistério). O Brasil todo vai entrar nesta “Iniciação à vida cristã”, observando as diversas etapas, seguidas pelos antigos. Mas ninguém se espante. Todas as modernas conquistas catequéticas, sem excetuar o Diretório Nacional de Catequese serão incorporadas. Procuraremos seguir as orientações do Mestre: “Todo o discípulo do Reino é como um pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas” (Mt 13, 52).

04.05.09

O PRESSUPOSTO DA CIÊNCIA

categorias: Artigos

   Alguns adversários da Igreja Católica conseguiram vender a idéia, com grande sucesso, de que ela é inimiga da ciência. E, ponto. É um dogma dos “sábios”. Já estão prontas as punições e as “excomunhões” contra quem ousar contestá-lo. Será jogado às trevas exteriores. Sempre haverá entre os intelectuais quem use o benefício da dúvida, e não aceite como verdade revelada, certos lugares comuns. Tais afirmações são veiculados em salas de aula, ou em programas da internet. Entre as convicções que foram passadas às mentes incautas, e mantidas como conquistas da humanidade, está a de chamar a Idade Média de época das trevas (porque sob a influência direta da Igreja). É uma mentira cínica, criada pelos iluministas, e tida como afirmação definitiva e derradeira.

   Acabo de ler um livro maravilhoso de Thomas Woods Jr, professor de várias Universidades americanas: “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”. Nesta publicação o cientista faz justiça aos fatos. Mostra como a Igreja teve um papel de proa em tudo o que existe no mundo moderno. Quero, por ora, só me referir ao mundo das ciências, onde fica indelevelmente marcada a contribuição singular da Igreja de Jesus Cristo. A verdadeira ciência, segundo o autor, tem as suas maiores contribuições por parte dela. De onde surgiu essa coincidência? É de sua fé em Deus criador. Ele é distinto do universo, dentro do qual criou leis seguras e previsíveis. Sua teologia desmitizou as crenças antigas, eivadas de magia. Não existe força nenhuma fora do Criador; não existem os espíritos que agem à revelia divina; não há espaço para um Criador tão onipotente e temperamental, que derrube a toda a hora as suas próprias leis; o comportamento de todos os seres é previsível, porque são regidos por leis. Diante disso o cientista se sente seguro para trabalhar e pesquisar. Os outros povos só tiveram técnicos, artistas, conhecedores, aperfeiçoadores. Entre nós vigorou o que diz o livro da Sabedoria: “Deus dispôs todas as coisas com medida, quantidade e peso” (Sab 11, 20). Diante disso os cientistas se sentiram estimulados a prosseguir nas suas pesquisas. O mundo moderno só seguiu esse caminho aberto.