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Foi uma enorme surpresa. O atual governo, que tantas vezes parecia ser hostil à Igreja, no dia 13 de novembro de 2008, mostrou espírito aberto, e assinou o acordo entre Santa Sé e República brasileira. Foi um lance de grande significado, que preencheu uma lacuna secular. Até países muçulmanos, desde longos anos já tem um acordo com a Santa Sé. Não se excluiu a própria França, origem de muitas intolerâncias modernas contra a Igreja, que tem também sua concordata.
Apenas fica para definir que o nosso Acordo, precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional. Isso vai ser um momento de muitas explicações para os nossos legisladores, porque o Acordo não admite emendas. Queremos mostrar aos Legisladores do Congresso, que esse “tratado” não rebate a laicidade do Estado. Nós até desejamos que o poder público seja laico, isso é, que respeite todas as religiões, sem assumir a causa de nenhuma. Errado seria o Estado querer passar a sua convicção laica, para todos os cidadãos, como se o único certo seria o cidadão agnóstico ou ateu. O acordo assinado respeita perfeitamente a laicidade do Estado, e reconhece que os cidadãos católicos tem direito à existência cívica e à liberdade religiosa.
É preciso também desfazer um equívoco, de tamanho planetário. Os debates que vi até agora, pela imprensa, todos partiram de um pressuposto: o Acordo entre a República Brasileira e a Santa Sé, quer consagrar definitivamente uma série de privilégios para a religião católica. Nada menos verdadeiro. Todos os artigos abordados já são, de alguma forma, incluídos em artigos da Constituição Federal, ou em leis já existentes. Ou são explicitações de dispositivos já aprovados anteriormente. Todas as denominações religiosas podem seguir nossos passos, e também elas conquistar as garantias de um Acordo. Podem conseguir os mesmos pontos, ou até melhores do que nós. Quero lembrar especialmente as questões relacionadas ao Ensino Religioso. Todo esse quadro precisa ser mais explicitamente regulamentado. O Ensino Religioso está contemplado já na Constituição de 1988. Apenas precisa ser refletido como os alunos de outras denominações vão ter também os seus Professores. De resto, tudo nesse Acordo é perfeitamente justo e adequado. Basta que caiam certas informações, eivadas de ideologias. O Acordo será uma grande oportunidade para nos sentirmos todos acolhidos dentro do Estado Brasileiro.

criado por Dom Roque
16:07:52 O nosso corpo, para ter plena saúde, depende de fatores genéticos. Mas não podemos esquecer, além disso, que o organismo é aquilo que comemos e bebemos: gordos, magros, doentios, saudáveis, infestados de parasitas...Entre o que ingerimos está decididamente o ar que inalamos. Os pulmões precisam trabalhar com oxigênio, em condições puras, e não misturado com gazes venenosos. Sua resistência a misturas deletérias,é relativa. Não há pulmões de aço. Embora nos dias atuais já existam outras empresas, voltadas a produzir “material pitante”, os jovens cantavam, outrora, maliciosamente: “O meu coração/ é só de Jesus./ Mas os meus pulmões/ são da Souza Cruz.” De fato, todos nós somos reféns da cultura indígena. Na década de mil novecentos e cinqüenta, médicos americanos se reuniram, e trocaram informações sobre as conseqüências do uso do fumo. Concluíram, sem margem a dúvidas, que provocava câncer, entre outros males. Constataram também que 30% dos óbitos tinham a sua origem no tabaco. Essa notícia, para pegar, levou várias décadas. A ingenuidade continuou, a ponto de eu ter ouvido, de um ancião: “eu me tornei nonagenário, porque fumei desde o tempo de criança”. A propaganda, para vender cigarros, apresentava jovens fumantes, alegres, cheios de otimismo, soltando baforadas charmosas. A elegância e o sucesso era com eles mesmo. Eles se esqueciam da feiúra das bitucas, do mau hálito, do incômodo aos circunstantes. Nem se lembravam que em ambientes fechados, o cheiro do fumo penetra nas roupas, e até nos cabelos. (Pode haver cheiro pior do que o do charuto, usado em lugar fechado?)
Hoje em dia o tabagismo já está desmascarado. A legislação está se tornando sempre mais dura, chegando ao ponto de se querer proibir o uso do tabaco em qualquer ambiente fechado. O motivo é que as outras pessoas, nesses ambientes, entram na exposição passiva, tão maléfica quanto o próprio ato de fumar. Entre os fumantes tenho muitos amigos e amigas. Quero-lhes muito bem. Gostaria que fizessem como eu mesmo fiz. Que abandonassem esse perigoso vício, e que colocassem a saúde em primeiro lugar. “Eu te propus a vida ou a morte. Escolhe, pois, a vida” (Dt 30, 19). No dia 29 de agosto, dia nacional de controle do tabagismo, é uma boa data para apresentar uma nova vida, livre do vício.

criado por Dom Roque
14:49:33 Com toda a consideração ainda possível, quero comentar algumas iniciativas, oriundas do velho continente, assestando recursos publicitários, contra o nosso Papa Bento XVI. Não quero aqui assumir uma posição de inocente perseguido, enriquecendo com fantasias a conversa de vítima (sinto-me atingido). Ao contrário, quero mostrar, com um realismo de pessoa consciente, fatos preocupantes que procuram revestir seus intentos vergonhosos com o manto das trevas. Eis alguns acontecimentos, sutilmente destinados a solapar a autoridade do Pontífice.
1 – O levantamento da excomunhão, outrora proferida contra o Bispo lefebriano, Williamson. Que gesto mais lindo do Papa! Com esse ato quis aplainar o caminho de retorno desse sucessor dos Apóstolos, desencaminhado. O Papa não sabia de suas infelizes declarações sobre a shoá, diante de um insignificante público. O mundo veio abaixo. Verificou-se que estava em marcha uma articulação mundial. Houve um alarido planetário contra o Papa. Tudo foi classificado como má fé, incompetência, e campanha contra os judeus. Até a chanceler Merkel, agnóstica de carteirinha, proferiu seu veredito contra o Pontífice. Faltou só o governo brasileiro, numa intuição republicana, sentenciar quem estava errado.
2 – Viagem do Papa ao continente africano. Naquela ocasião sua Santidade proferiu centenas de grandes ensinamentos. Apenas 1% foi dedicado ao uso dos preservativos, com fins de combate ao vírus do HIV. O grande cientista dessa área, Edward Green, afirmou que o Papa estava certo nas suas afirmações. Pois a Uganda e também a Nigéria, desenvolveram programas, dentro das recomendações dos métodos naturais. Reagindo, no último limite do artificialismo, os países europeus desencadearam um escândalo, que mais parecia briga contra o árbitro, em futebol de bairro. A mídia bilionária tornou-se ridícula.
3 – Campanha de assinaturas. Pergunta-se, pela internet: “Você acha que o Papa deve renunciar?” A força que se faz é monumental. Querem fazer uma pressão, que torne a vida do Santo Padre irrespirável. Essa campanha tem tanto valor como perguntar aos cidadãos do mundo: “Você quer que o presidente da China renuncie”? Falta a mínima autoridade para aqueles que tiveram essa infeliz iniciativa. “As forças do inferno não prevalecerão contra a Igreja” (Mt 16, 18).

criado por Dom Roque
14:37:01 Faz parte da vida humana estar, muitas vezes, sob a influência de fortes desejos. Tais estados de alma podem reforçar os grandes ideais, quando somam energias com os sonhos, que alimentam a nossa trajetória. Ter desejos é querer possuir; é predispor-se a gozar; é entregar-se a uma força que mal conseguimos manipular. Tem características de satisfação egoísta, embora persistam espaços para o altruísmo. Talvez a sã psicologia tenha descrições melhores a oferecer. O que aqui apresento reveste-se apenas de fenômenos observados pela razão, que chamamos de bom senso. Logo abaixo quero reconhecer que existem, sim, desejos construtivos. Mas comecemos pelos desejos que nos travam, e nos introduzem na parca produção, diante dos grandes deveres, de que estamos revestidos. Há desejos que nos puxam para baixo, e nos colocam em posição de correr atrás dos falsos valores. Vejamos, por exemplo, o desejo sexual que pode nos atormentar, em busca de amores impossíveis, e contrários à ética cristã. Mas não é só a sexualidade que pode nos colocar em estado improdutivo. Também o desejo irrefreável do dinheiro, a “cobiça dos olhos”. O mesmo se diga, com mais ênfase, sobre o desejo de prestígio a todo custo, da fama (muitas vezes não merecida), da perseguição contra pessoas que atrapalham. Jesus advertiu: “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6, 21).
Os desejos amorosos de um casal, em santa união, podem ser poderosas alavancas, para a concretização de sua vida familiar. Tais sentimentos se tornam convergentes. Lembro-me aqui também dessas almas privilegiadas, que envidam todos os esforços, nas obras sociais. Ou mesmo, daqueles que querem ocupar posições de realce na sociedade, para fazer o bem, e melhorar as condições do povo. Mas de forma alguma posso esquecer aquelas almas mais sublimes, como São Paulo, que se aproximam de Deus, e não dividem seus desejos com falsos ídolos. Tais pessoas são os “puros de coração” cujos desejos estão fixados no essencial. Esse é o ajustamento que todos devemos procurar. Jesus previu isso: “Eu, uma vez levantado (na cruz), atrairei todos a mim” (Jo 12, 32).

criado por Dom Roque
13:43:43