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Com o resultado das eleições presidenciais americanas, nós brasileiros, nos sentimos tão felizes, como se a vitória de Obama tivesse a ver com o nosso voto pessoal. Tudo é sorrisos e esperanças. Tudo é juventude, harmonia, modernidade e inteligência. Não tenho fortes razões para não acompanhar o otimismo geral. Mas tenho algumas observações, que me levam a ter cautela. Como católico, sinto sérias preocupações.
O príncipe não está atualizado - é o que se viu nas cerimônias de posse – com a real situação religiosa americana. Os protestantes tiveram presença evidente no cerimonial de posse. Mas nenhuma autoridade católica esteve tomando parte nas celebrações. Lá existem mais de 80 milhões de católicos, de longe o maior agrupamento religioso da nação. Superam, com grande vantagem, as outras denominações cristãs, individualmente tomadas, que até se digladiam entre si.
Causou-me espanto a largueza de atribuições que o líder capitaliza para a sua missão. Antes da posse, mas já eleito, pronunciou-se como exegeta bíblico, discorrendo com desembaraço sobre as páginas sagradas, e fazendo-lhes reparos e levantando interpretações. A impressão que deixou é que não vai haver moleza para o nosso lado. Da grande república do Norte fluirão ensinamentos de conduta, que nos atingirão em todo o mundo. A sinalização que deu é que os nossos pontos de vista pouco valem nos dias de hoje.
Quanto às primeiras providências governamentais, parece que segue os conselhos de “O Príncipe”, de Maquiavel. As providências desagradáveis devem ser tomadas todas de uma vez. Daqui para frente está proibido praticar torturas (rrss). E voltando-se para a Igreja Católica, mandou liberar os subsídios governamentais, para pesquisas com células-tronco embrionárias. E sem subterfúgios atenuantes, manifestou-se abertamente a favor do aborto, sem restrições, para alegria geral daqueles que ainda tem um resto de escrúpulos na consciência. Desejo estar enganado nas minhas primeiras impressões. Por isso “façamos orações pelos reis... a fim de que levemos uma vida calma e serena” (1 Tim 2,2).
Dom Aloísio Roque Oppermann scj - Arcebispo de Uberaba, MG

criado por Dom Roque
07:43:42

DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN, SCJ
Nascido: São Vendelino – RS em 19/06/36
Filiação: Jacó Affonso Oppermann e Maria Ledur
Estudos:
• 1º grau – Crissiumal – 1948
• 2º grau – Corupá – SC – 1949 a 1954
• Filosofia – Convento da Congregação SCJ de Brusque – SC 1956 a 1957
• Noviciado em Brusque – SC – 1955
• Teologia – Instituto Teológico SCJ – Taubaté – SP de 1958 a 1961
• Especialização: Orientação Educacional na Faculdade de Filosofia de Taubaté – SP
• Cursos de Biologia
• Curso de Pastoral pela CRB no Pátio do Colégio em, SP – em 1962
Ordenação Sacerdotal: Taubaté – SP em 29 /06/1961.
Atividades antes do Episcopado:
• Educador no instituto dos Meninos de São Judas Tadeu – Orfanato São Judas Tadeu – SP em 1963;
• Professor de Biologia por 15 anos;
• Educador na Escola Apostólica São Miguel de Crissiumal – RS de 1964 a 1965;
• Professor e orientador Educacional no Colégio Dehon, Tubarão – SC de 1966 a 1968;
• Diretor da Escola Apostólica São José – Rio Negrinho – SC de 1969 a 1971;
• Diretor do Instituto Dehonista ;
• Pároco do Santuário de Santa Rita em Curitiba-PR de 1972 a 1977;
• Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo em Varginha – MG de 1978 a 1982;
• Conselheiro provincial em três períodos;
• Membro do Conselho Presbiteral em Curitiba - PR e Campanha – MG;
• Coordenador de Liturgia no Leste II por 5 períodos;
• Diretor e depois secretário do Colégio Estadual Pe. Manuel da Nóbrega em Rio Negrinho – SC.
Nomeação Episcopal: Em 21/04/1983.
Atividades como Bispo:
• 1º Bispo Diocesano de Ituiutaba - MG - de 1983 a 1988;
• Bispo Coadjutor de Campanha – MG;
• Bispo Diocesano de Campanha – MG de 1988 a 1996.
Atualmente: Arcebispo Metropolitano de Uberaba – MG desde 01/05/1996.
Escritos de sua Autoria:
• Colaboração em Jornais e Revistas;
• Cartas Pastorais;
• “Respingos de Vida” - 1996
• “O Enviado” – 1997;
• “Colóquios e Encontros” – 2001;
• “Uma Proposta Desafiadora” – 2002;
• “Para que o Sol resplandeça” – 2002.
• “Flashes da Vida de um Bispo” – 2008
• “Memórias Vivas do Leste II” - 2008
Honrarias Recebidas:
• Cidadão honorário de Varginha no Sul de Minas em 1983;
• Cidadão honorário de Uberaba em novembro de 1996;
• Medalha da Inconfidência outorgada por Itamar Franco em 29/04/2000;
• Cidadão honorário de Sacramento em setembro de 2006;
• Comenda do Sesquicentenário de Uberaba em 22/09/2006;
• Diploma Doutor Honoris Causa – Faculdade de Teologia de Boa Vista – FATEBOV (21/09/2006);
• Comenda Major Eustáquio de Uberaba em 16/03/07;
• Moção de Aplauso – Câmara Municipal de Varginha MG- 21/05/2008
• Título Devoto Pró-Nhá Chica – 14 /06/08;
• Diploma do Instituto Bíblico de Brasília – 2008;
• Medalha Presidente Juscelino Kubitschek em Diamantina MG – 12/09/08
• Medalha Mérito Arsênio Rodrigues de Souza – Conquista MG – 19/12/2008
Lema : “Cristo é o Senhor”.

criado por Dom Roque
15:36:47A “revolução sexual” está em pleno andamento. A diversão barata, pela prática genital, tornou-se um imperativo ético. Todos devem considerar o prazer sexual como um direito universal. Se não está listado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, tornou-se uma lei não escrita, que se tornou impositiva. Ai de quem quiser arrostar tal tendência. Em muitas escolas partiu-se para a “educação sexual”, muitas vezes com nuances de derrubar as últimas resistências morais ainda existentes. Até houve Ministro da República, que se manifestou pela distribuição jovial de preservativos sexuais, naturalmente pagos pela viúva. Será que tal educação pode ser dirigida por qualquer pessoa? Faço sérias restrições.
Educar a sexualidade, necessariamente, é educar na castidade. Esta é um enorme benefício para a juventude, porque promove a energia espiritual, defende o amor diante do egoísmo e da agressividade, e leva à realização pessoal. Essa educação favorece o amadurecimento afetivo, a afirmação do “eu”, a autoestima, o senso de dignidade, a autoposse, o equilíbrio interior. Vamos mais longe? Essa educação leva à aquisição dos valores da procriação, da vida e da família. Não é qualquer tinturinha de informação sobre a fisiologia do aparelho sexual, ou as cautelas contra a gravidez indesejada, que pode receber aplausos. Nesta educação aguada não há espaço para os valores da família, nem para a educação da vontade. Formar é levar a aceitar com serenidade a realidade do homem e da mulher, é saber exigir grande respeito para si mesmo e para os demais. No meu entender, só a família tem condições para fazer compreender a masculinidade e a feminilidade, discernir a relação afetiva, e fazer perceber a sexualidade como dom de si mesmo ao outro, no amor. O educando deve ser conduzido a crescer como pessoa virtuosa, para a aquisição da aptidão permanente de fazer o bem. E não ser encaminhado à luxúria e à irresponsabilidade. A família, onde vigem os valores da fé, levará seus filhos a descobrir o projeto de Deus na vida. Todos esses valores são inalienáveis (intransferíveis). Os pais podem ser ajudados, mas não substituídos. O jovem, educado na sabedoria, pode exclamar: “Senhor, guarda-me como a pupila dos olhos” (Sl 17, 8).

criado por Dom Roque
14:42:20No esforço nacional de integração social o Exército é considerado um vilão. Do período revolucionário, na análise dos esquerdizantes, só são lembrados seus erros e deslizes. Mas na verdade, o Exército nacional foi um benemérito. Na sua gestão foi engendrado o Brasil moderno nas comunicações, nas finanças, na educação, nos transportes... Por alguns anos se acabaram as ratazanas do dinheiro público. Mas sobretudo ele nos livrou da experiência maldita do regime comunista. Esse perigo foi real. O pleno funcionamento dos “Grupos dos Onze” é uma prova contundente do perigo que se aproximava. Ao ver a Escola Apostólica da minha Congregação, um prócer socialista afirmava sem subterfúgios: “quando vierem os vermelhos, tudo isso será nosso”. A proteção do governo João Goulart foi total. Hoje como grupo remanescente, permanece o MST, pouco interessado em reforma agrária, e muito em outro sistema político (socialismo mais retrógrado). O poder judiciário costuma passar a mão na cabeça dos líderes, infratores contumazes da Constituição.
Para acompanhar bem meu pensamento sobre o período revolucionário, posso dizer que saudei a Revolução como uma libertação nacional. Mas o desencanto não demorou a aparecer. Talvez por uma deficiência de formação, os militares não haviam aprendido a respeitar os direitos humanos, e os rumores de aplicação de torturas (“para fazer os bandidos falar”) eram cada vez mais constantes. Com o AI 5 acabaram-se todas as esperanças. Agora a entrega do poder era só uma questão de tempo. Nos tempos atuais, em nível de Federação, os maus tempos estão emergindo novamente. Não estamos “assessorados” por inúmeros servidores da República, com passagem demorada pelos bancos da guerrilha? Não são nossos melhores “amigos” estrangeiros, chefes de nações em busca de um socialismo anacrônico? Não querem nos empurrar goela abaixo candidaturas que pouco tem a ver com as nossas tradições cistãs? Está bem: suportamos tudo isso; somos maduros para suportar campanhas a favor do aborto; para muitos “perseguidos políticos” aceitamos indenizações; suportamos más amizades internacionais. Só não entendo por que não são reconhecidas as conquistas do tempo revolucionário. Se queremos a pacificação nacional, é preciso reconhecer os valores positivos da revolução de 1964, e suas retas intenções iniciais.

criado por Dom Roque
12:30:32A posse de Prefeitos, vice-Prefeitos e Vereadores, traz para o centro do tablado, as mulheres e homens públicos de nossos Municípios. Eles são pessoas muito próximas de nós, pois receberam a incumbência de resolver os problemas, os planos, e os sonhos das pessoas com as quais convivemos diariamente. É verdade, o exercício da Política tem caráter ambíguo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos satisfeitos pelo calçamento de uma rua do nosso bairro, pela abertura de uma escola nova para as crianças, pela multiplicação do serviço de água tratada, nos irritamos com a morosidade das soluções, com as vinganças reles dos políticos, com o desaparecimento mal explicado de dinheiros públicos, com os problemas nunca resolvidos dos pobres. Apesar das decepções, somos otimistas contumazes. O exercício da Política, apesar dos reveses, nos leva a sermos cheios de esperança. Continuamos a considerar a gestão pública uma “nobre” arte. Continuamos confiando em eleições sempre mais seletivas, e em pessoas sempre mais bem preparadas. O otimismo de Paulo VI chega a ser uma expressão de confiança na raça humana, quando afirma: “A Política pode ser uma das melhores expressões da caridade fraterna”.
As Escrituras, sem se posicionar sobre a origem do poder – se por meio de eleições, por herança, por mérito, ou até por imposição – considera que as autoridades sejam consideradas necessárias para o funcionamento da sociedade. “Lembre a eles (povo), que devem ser submissos aos magistrados e às autoridades” (Tit 3, 1). Quando é que uma autoridade é legítima? Quando é aceita pela população. Via de regra, toda autoridade, dentro do âmbito de suas atribuições, merece crédito e obediência. Caso contrário, seríamos adeptos da anarquia, que é sinal de estágio primitivo da civilização. A organização social e política, no entanto, pode expor os homens públicos a tentações que os desclassificam: vinganças, leniência, apropriação indébita, prevaricação, interesses pessoais ou familiares, perseguições... Como os erros dessas pessoas são públicos, devem ser desmascarados em público. Mas o primeiro momento de qualquer pessoa, destacada para gerir a coisa pública, deve ser seu presumido interesse pelo bem comum. “Faze o bem e evita o mal” (Sl 34, 14).

criado por Dom Roque
12:28:08